A Diferença Entre Pinos Elásticos Espirais e Pinos Elásticos
Por Adolf Valasek, Engenheiro de Aplicação
O que é um Pino Elástico?
Um Pino Elástico, é um fixador mecânico usado para prender duas ou mais peças de um conjunto. Os Pinos Elásticos são peças ocas, em formato de tubo, projetadas para serem maiores do que o furo onde será instalado, feitos de aço carbono ou outros tipos de materiais.
A principal diferença entre um Pino Elástico e um Pino Sólido é que a sua rigidez radial é significativamente menor do que a do material hospedeiro. Os pinos sólidos podem ter uma superfície lisa e ininterrupta (como cavilhas) ou podem ser projetados com características de retenção, como recartilho ou travas. Os Pinos Sólidos são comumente retidos através da deformação do material hospedeiro. No entanto, nos casos em que o pino é retificado com precisão e o furo é alargado com precisão, o ajuste de um Pino Sólido retificado pode ser controlado com muita precisão entre uma ligeira folga e uma pequena interferência, o que não resultará no deslocamento do material do pino ou do material de base. No entanto, a retífica e alargamentos precisos do pino e do furo tornam esta opção de fixação uma das mais caras.
Por outro lado, a flexibilidade do Pino Elástico permite-lhe absorver uma tolerância de furo muito maior do que os Pinos Sólidos rígidos. Isto torna a preparação do furo mais rápida e com menos custo, resultando assim num custo total de fabricação mais baixo. A rigidez comparativamente mais baixa também traz outro benefício: os Pinos Elásticos não danificam o furo principal (quando selecionados corretamente), de tal forma que podem ser reparados sem a necessidade de retrabalhar as peças.
Existem dois tipos básicos de Pinos Elásticos: Pinos Elásticos e Pinos Elásticos Espirais.
Pinos Elásticos
Um Pino Elástico é caracterizado pela sua secção transversal em forma de C e uma fenda paralela ao seu eixo. Embora a sua origem exata seja desconhecida, eles têm aparecido como um conceito em dispositivos mecânicos ao longo da história moderna. Com o tempo, através de vários padrões da indústria, eles evoluíram para o que é comumente usado hoje em muitos tipos diferentes de aplicações. Existem várias normas industriais ativas, mas quatro (4) prevalecem e representam a maior parte da procura de Pinos Elastícos: ASME B18.8.2, ASME B18.8.4M, ISO 8752 e ISO 13337.
Pinos Elásticos Espirais
Um Pino Elástico Espiral é reconhecido pela sua secção transversal espiral de 2¼ de voltas. A história do Pino Elástico Espiral é muito mais clara. Este foi inventado em 1948 por Herman Koehl, fundador da SPIROL, especificamente como uma solução para uma aplicação com vibrações severas e cargas dinâmicas, um rotor de um motor a jato. Ao contrário de outros fixadores tradicionais, como porcas e parafusos, que tendem a soltar-se sob vibrações severas, ou Pinos Sólidos rígidos, que transmitem as cargas dinâmicas para a parede do furo e comprometem a retenção do pino, Herman Koehl projetou um pino que era forte o suficiente para resistir às forças geradas durante o uso, mas também flexível o suficiente para absorver as forças, de modo a preservar a integridade do componente mantendo a montagem intacta. Os Pinos Espirais está disponível em três diferentes cargas, para a combinação ideal de resistência e flexibilidade para acomodar diferentes tipos de aplicações e materiais. As normas industriais mais comuns para Pinos Espirais são ISO 8750, ISO 8748, ISO 8751 e ASME B18.8.2 e ASME B18.8.3M. Estas normas não diferem muito entre si e são consideradas praticamente equivalentes.
Pino Elástico Espiral (esquerda) e Pino Elástico (direita)
Características Físicas e Diferenças
Secção Transversal
A principal diferença entre um Pino Elástico Espiral e um Pino Elástico está na secção transversal, conforme mostrado na Figura 1. Enquanto o Pino Elástico é um pino em formato de C, geralmente enrolado a partir de uma tira mais espessa de material, o Pino Elástico é enrolado a partir de uma tira mais fina para atingir a sua secção transversal espiral de 2¼ de voltas para o mesmo diâmetro nominal. A principal implicação desta diferença é a flexibilidade do pino. Um Pino Elástico só pode flexionar até certo ponto antes de fechar a sua abertura e se tornar efetivamente um tubo rígido e oco. A fenda permite que o Pino Elástico absorva a tolerância de fabrica do furo durante a instalação, mas os choques e vibrações após a instalação não são amortecidas porque a flexão adicional é limitada pela fenda fechada. Isso pode levar à falha prematura da junta e danos ao componente hospedeiro.
Um Pino Espiral, por outro lado, pode flexionar mesmo além da sua interferência inicial de instalação, dada a sua flexibilidade praticamente ilimitada. Na verdade, quando o Pino Espiral adequado é selecionado para uma montagem, o pino absorve indefinidamente as vibrações e forças de choque e protegerá o material do furo para maximizar a vida útil da montagem.
Figura 1
Secção Transversal de um Pino Elástico (esquerda) e Pino Elástico Espiral (direita) mostrando a diferença na Tensão Radial
Figura 2
Exemplo de Pinos Elásticos Interligados
Fenda/Junção
Outro diferencial importante é o design da borda onde a tira de aço termina. No Pino Elástico, essa borda é a fenda. Em algumas configurações, a fenda tem a mesma largura que a espessura da tira (ISO 8752), o que significa que os pinos podem se encaixar uns nos outros (intertravamento), como mostrado na Figura 2. Estes tipos de Pinos Elásticos devem ser evitados em linhas de montagem altamente automatizadas, pois isso resultará na trava do equipamento de alimentação.
Um Pino Espiral, com várias voltas de material, tem uma costura lisa em vez de uma fenda aberta (Figura 3). A secção transversal fechada não só impede o encaixe um no outro (intertravamento), como também proporciona uma superfície lisa para rotação, o que é especialmente útil em articulações como dobradiças, por exemplo. Outra vantagem de ter uma secção transversal mais uniforme é que a resistência de um Pino Elástico não depende da orientação. Este não é o caso quando falamos de um Pino Elástico, onde a sua resistência ao cisalhamento pode variar em aproximadamente 5% dependendo da orientação em quer for instalado, a favor da carga alinhada com a fenda (0° ou 180° (Figura 4)).
Figura 3
Secção transversal de um Pino Elástico Espiral
Figura 4
A Orientação da fenda afeta a resistência ao cisalhamento nos Pinos Elásticos em aproximadamente 5%.
Chanfro
Algumas configurações de Pinos Elásticos têm um diâmetro de chanfro especificado simplesmente como «menor que o diâmetro nominal do pino» (ISO 8752). Isso evita que o pino se alinhe previamente com o furo antes da instalação e evita que o pino compense o desalinhamento entre as peças fixadas. Outras especificações industriais de Pinos Elásticos têm um diâmetro de chanfro mais controlado, projetado para ser menor que o furo com uma margem específica para facilitar a montagem.
Todos os Pinos Espirais têm chanfros especificados como menores que o furo com uma margem específica. O chanfro de um Pino Espiral é estampado com uma transição suave para facilitar a montagem sem problemas.
Extremidades Quadradas
Devido aos diferentes métodos de fabricação, os Pinos Elásticos podem frequentemente ter extremidades que não são perfeitamente perpendiculares ao seu eixo devido ao método de fabricação. Isto pode representar um obstáculo na alimentação automática, onde os pinos empilhados uns sobre os outros podem enroscar e causar um emperramento. Isto também pode ser causado por pequenas “saliências” de material, por vezes presentes na extremidade do pino, resultantes do processo de fabricação (Figura 5).
Os Pinos Espirais possui extremidades retas que lhes permitem alinhar-se automaticamente com o punção de instalação. Isto garante com que o pino se mantenha reto e tenha uma força uniforme aplicada durante a instalação no furo.
Figura 5
Alguns Pinos Elásticos têm pequenas “saliências” de material que podem causar travamentos em automatizações. (exagerado para fins de demonstração)
Recomendações de Pinos com Base na Aplicação
Aplicações Dinâmicas
Quando se trata de aplicações dinâmicas, o Pino Elástico Espiral supera todos os outros tipos de pinos de encaixe por pressão. Em aplicações dinâmicas, o pino suporta vibrações, choques ou impactos e precisa ser capaz de absorvê-los para atingir a maior vida útil.
Figura 6
Os Pinos Elásticos Espirais permanecem flexíveis após a instalação, absorvendo choques e vibrações e prolongando a vida útil do conjunto
Os Pinos Espirais foram especificamente desenvolvidos para permanecerem flexíveis após a inserção e absorverem as cargas e vibrações variáveis (Figura 6). Estudos demonstraram que o Pino Espiral supera claramente o Pino Elástico em testes de fadiga em ambos – 1) a carga máxima para uma vida útil infinita e 2) ciclagem até à falha com uma carga definida.
Um Pino Elástico tem uma flexibilidade muito limitada – a maior parte da qual é consumida durante a instalação. Uma vez instalados, os Pinos Elásticos têm muito pouca largura de folga para absorver quaisquer cargas variáveis. Quando a fenda se fecha, o Pino Elástico torna-se um tubo rígido e oco e agindo de forma semelhante a um Pino Sólido, transferindo a carga diretamente para a aplicação. Isto pode danificar o furo, tornando as peças inutilizáveis ou necessitando de retrabalho.
Há outro fator que afeta a vida útil dos Pinos Elásticos: a orientação da fenda. Através de testes, foi descoberto que a vida útil de um Pino Elástico pode diminuir em cerca de 50% quando a fenda está orientada a 90° em relação à carga (Figura 4).
Por outro lado, a vida útil de um Pino Espiral é independente da orientação.
Montagem Automática
Para ambientes altamente automatizados, é fundamental obter uma qualidade consistente de instalação e evitar paradas de linha. Devido à combinação de características únicas, o Pino Espiral é mais adequado para ambientes altamente automatizados, uma vez que a ausência de fenda, extremidades quadradas, chanfros estampados e força de instalação consistente facilitam uma instalação sem problemas e um tempo de inatividade mínimo. Além disso, o desempenho de um Pino Elástico Espiral não é afetado pela sua orientação em relação à carga aplicada.
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